
“Doar medula óssea é um ato de amor”. Esse é o slogan da campanha realizada pelo Hospital de Câncer de Barretos – Fundação Pio XII, em várias regiões do Brasil. Na última terça-feira, dia 4, uma equipe de profissionais do hospital visitou a Câmara Municipal de Atibaia, conversou com a secretária municipal de Saúde, Gorete Pinaffi Heger, e ministrou palestra no plenário do Legislativo sobre a importância da Campanha de Possíveis Doadores de Medula Óssea, que será realizada em Atibaia do dia 27 ao dia 31 de julho. O objetivo é aumentar o cadastro de possíveis doadores no Brasil, hoje com 1,5 milhão - contra 9 milhões nos Estados Unidos.
“O tratamento para pacientes com problemas na medula óssea não está nos laboratórios, nem nas farmácias, pode estar em cada um de nós e essa é a grande dificuldade que as pessoas que têm essa doença enfrentam”, falou ao público a analista de captação de doadores de medula óssea, do Hospital de Câncer de Barretos, Daniele Muriel de Oliveira, que ministrou a palestra. Segundo o Instituto do Câncer, as chances de um paciente encontrar um doador é de um para 100 mil no Brasil.
O problema enfrentado pelos pacientes é que os doadores precisam ter suas características genéticas 99,9% compatíveis com a do receptor, o que torna a probabilidade muito baixa, em especial no Brasil, o país com maior miscigenação do mundo. “O objetivo da campanha é justamente aumentar o cadastro de possíveis doadores. Cada um que conseguimos conquistar para o cadastro é uma esperança a mais de sobrevivência para muitas pessoas. O transplante de medula é a última chance de vida para uma pessoa que já passou por todos os outros tratamentos”, explicou Daniele.
A campanha em Atibaia será realizada em três ou quatro pontos fixos da cidade, sensibilizando e agregando voluntários. A expectativa é que de 8% a 10% da população se cadastre como doador. “É preciso que as pessoas se sensibilizem, se apaixonem pela causa e acreditem que não precisa acontecer com alguém da família para ajudar. Ajudar outras pessoas a ter uma esperança de vida vale muito a pena”, continuou a palestrante. No período que antecede a data da campanha a equipe do hospital estará agendando visitas à cidade para ações de sensibilização e divulgação.
A iniciativa da Campanha de Possíveis Doadores de Medula Óssea é da Ordem Demolay de Atibaia (Capítulo Danilo Edmir Trevisan) – sociedade paramaçônica juvenil –, com o apoio da Câmara Municipal e da Prefeitura. “A Ordem Demolay é responsável por 52% dos cadastros que conquistamos em nossas campanhas”, afirma Daniele.
Na quarta-feira (5) outra palestra foi realizada no Centro Paula Souza – ETEC Carmine Biagio Tundisi, no Jardim Cerejeiras, para os estudantes do curso de Enfermagem, que também poderão se candidatar como voluntários para o trabalho de cadastramento. A palestra foi ministrada pelas enfermeiras Alessandra da Silva Maldonado e Mariana Fabro Mengatro, responsáveis pela captação de doadores do Hospital de Câncer de Barretos.
Os interessados em maiores informações podem visitar o site do hospital no endereço www.hcancerbarretos.com.br.
Saiba mais
A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por “tutano”, e onde são produzidos os componentes do sangue - as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Enquanto a medula óssea é um tecido líquido que ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo. O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia e linfoma.
O transplante consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente. No transplante alogênico, a medula vem de um doador. O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.
Segundo o Instituto do Câncer, mil pessoas no Brasil procuram o transplante de medula óssea no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Para se tornar uma doadora, qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode se candidatar. A medula é retirada de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias. Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado, que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.