Enquanto nos Estados Unidos o cadastro de doadores de medula óssea conta com 9 milhões de pessoas, no Brasil o número não chega a 650 mil. Em virtude desse quadro, o vereador José Paulo Teixeira e a Ordem Demoley de Atibaia (Capítulo Danilo Edmir Trevisan) - sociedade paramassônica juvenil - estão iniciando um movimento para a realização de uma campanha na cidade.
No dia 4 de maio, às 19h, será realizada palestra sobre o tema no plenário da Câmara Municipal, cujo principal objetivo é levar informações sobre o movimento à população. A partir de então, será definida a data da campanha em Atibaia
Iniciativa
Na terça-feira (20), José Paulo e o segundo conselheiro da entidade, André Corradini, estiveram em reunião com o prefeito José Bernardo Denig solicitando apoio para a realização da Campanha de Possíveis Doadores de Medula Óssea. "É importante o apoio do poder público na infraestrutura dessa iniciativa", destacou o vereador. Também participou da reunião a secretária municipal de Saúde, Maria Gorete Pinaffi.
Doença
A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por "tutano", e onde são produzidos os componentes do sangue - as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Enquanto a medula óssea ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.
O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia e linfoma.
O transplante consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente.
No transplante alogênico, a medula vem de um doador. O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.
Segundo o Instituto do Câncer, mil pessoas no Brasil procuram o transplante de medula óssea no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Para se tornar uma doadora, qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode se candidatar. A medula é retirada de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias.
Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente. Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado, que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante.
Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação. Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em 100 mil. "É justamente a questão da compatibilidade que torna isso tão problemático. Além de contarmos com um cadastro pequeno, a probabilidade do candidato se tornar doador, é baixa", explica José Paulo.